Construir nunca é fácil. É preciso fazer uma análise dos recursos disponíveis, da mão de obra que se possui, do tempo que se tem para construir e o tipo de obra que se deseja edificar. Neemias deparou-se com todas essas coisas quando chegou a Jerusalém e foi desafiado a reconstruir seus muros.
Mais que apenas ficar fazendo as contas dos custos do trabalho, Neemias teve de se preparar para restaurar os muros e as portas de Jerusalém. Conforme Neemias 3, os israelitas restauraram as diversas portas da Cidade. Ele traz a descrição os grupos que fizeram cada trabalho, uma demostração de organização e de sincronia no desenvolvimento daquelas atividades. Para cada grupo, havia um tipo de trabalho a ser feito. A restauração das portas não foi feita de forma desorganizada. E não apenas as portas foram edificadas, mas a sua colocação nos seus devidos lugares respeitou os modelos de construção da época, demostrando que o serviço foi feito de forma completa.
As portas começam a ser reparadas. Uma das atividades mais citadas no capítulo 3 de Neemias é a restauração das portas. Cada porta tinha sua importância. De forma geral, cada uma permitia o acesso e saída da cidade, por alguma direção. Os muros tinham sua importância na estrutura das cidades antigas, como hoje tem os muros das casas e condomínios. Sua altura e imponência traziam segurança aos moradores, e muito trabalho a grupos invasores. Entretanto, em que pese os muros terem essa prerrogativa de proteção, essa proteção poderia ser perdida se as portas da cidade fossem destruídas parcial ou completamente. As portas abertas, mal protegidas ou destruídas permitiriam a entrada de inimigos e a destruição permitiriam a entrada de inimigos e a destruição da cidade. Por isso deveriam ser restauradas de mesma forma que os muros o foram.
Havia diversas portas na cidade de Jerusalém, e cada uma tinha um nome e uma importância. Independente da aplicação atribuída para cada uma delas, o importante é o seu significado estratégico. Mais quer apenas impedir a entrada de pessoas indesejadas, e permitir o acesso daquelas bem-vindas, as portas da cidade tinha uma outra atribuição: a de delimitar onde estariam as autoridades da cidade. Nas portas da cidade é que autoridade se colocavam, principalmente para exercer a administração e realizar julgamentos. Se um homem ou mulher quebrassem o concerto do Senhor, deveriam ser levados ás portas da cidade para serem julgados e condenados (Dt 17.5). "Quando alguma coisa te for dificultosa em juízo, entre sangue e sangue, entre demanda e demanda, entre ferida e ferida, em subirás ao lugar que o SENHOR, teu Deus;" (Dt 17.8). Mais que apenas objetos de madeira ou metal colocados entre muros da cidade, as portas representavam um retorno da autoridade antes perdida.





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